Modelos e registos · ISO 9001 · Cláusula 7.1.5
Registo de calibração de equipamentos segundo a ISO 9001
Se um equipamento é usado para decidir se um produto cumpre, a empresa tem de conseguir demonstrar que mede bem: quando foi calibrado, face a quê, com que resultado e o que se fez quando não estava bem.
Numa frase
O registo de calibração de equipamentos demonstra que os equipamentos com que se verifica a conformidade do produto são aptos para o seu uso: a ISO 9001 exige conservar evidência dessa aptidão (7.1.5.1) e, quando a rastreabilidade da medição é necessária, calibrá-los ou verificá-los em intervalos definidos face a padrões rastreáveis, identificar o seu estado e analisar os resultados anteriores se um equipamento se revelar não apto (7.1.5.2).
- Onde a norma o exige
- ISO 9001 · Cláusula 7.1.5 As cláusulas são citadas com a numeração da edição de 2015, a mesma que a Academia utiliza; os certificados emitidos com ela continuam válidos durante a transição para a edição de 2026.
- Tipo de informação
- Registo obrigatório Informação documentada a conservar (7.1.5.1)
- Quem o preenche
- Qualidade ou manutenção A calibração externa é feita por um laboratório; a decisão sobre o resultado é interna
- Quando
- Segundo o intervalo definido para cada equipamento E sempre que o equipamento sofra uma pancada, uma reparação ou dê um resultado duvidoso
- Durante quanto tempo se conserva
- Definido pela organização A norma não fixa prazos: pede que se decida a conservação e a eliminação (7.5.3.2). Cobrir pelo menos o ciclo de certificação de três anos permite mostrar o histórico na renovação.
O que a norma exige
O que o referencial ISO 9001 exige e o que fica ao seu critério
Quando a monitorização ou a medição são usadas para verificar que os produtos e serviços cumprem, a organização deve dispor dos recursos adequados, mantê-los aptos e conservar evidência dessa aptidão.
Se a rastreabilidade da medição for um requisito, ou a empresa a considerar essencial, os equipamentos são calibrados ou verificados em intervalos especificados ou antes da utilização, face a padrões rastreáveis a padrões nacionais ou internacionais; se não existir padrão, conserva-se a base utilizada. É preciso identificá-los para saber o seu estado e protegê-los de ajustes, danos ou deterioração.
Se um equipamento se revelar não apto, é preciso determinar se os resultados de medições anteriores ficaram comprometidos e atuar em conformidade. É a parte mais esquecida.
Estrutura
Campos que o modelo deve ter
- Equipamento, código interno, localização e utilização
- Gama e tolerância ou erro máximo admissível para essa utilização
- Tipo de controlo: calibração externa ou verificação interna
- Intervalo e data da próxima calibração
- Padrão ou laboratório e a sua rastreabilidade
- Resultado: erro encontrado e incerteza
- Decisão: apto, apto com restrições, não apto
- Se não for apto: análise das medições anteriores e ações
- Identificação do estado no próprio equipamento
Exemplo
Exemplo: micrómetro que sai de tolerância
Empresa, pessoas e números fictícios: o exemplo serve apenas para mostrar como fica um registo bem preenchido.
| Campo | Conteúdo |
|---|---|
| Equipamento | Micrómetro de exteriores 0-25 mm · MIC-07 · inspeção final |
| Tolerância de utilização | Erro máximo admissível ± 0,004 mm |
| Controlo | Calibração externa anual em laboratório acreditado |
| Resultado | Erro de + 0,007 mm a 20 mm · data 9 de março de 2026 |
| Decisão | Não apto: retirado e enviado para ajuste |
| Medições anteriores | Revistos 14 lotes medidos desde a calibração anterior; 2 com cotas perto do limite superior |
| Ação | Nova medição das amostras retidas dos 2 lotes: conformes · cliente não afetado |
| Estado | Etiqueta «fora de uso» até ao regresso; novo certificado a 23 de março |
Na auditoria
Erros que os auditores costumam apontar
- Certificados de calibração arquivados sem que ninguém compare o resultado com a tolerância de utilização.
- Equipamento fora de tolerância sem análise do que foi medido com ele desde a calibração anterior.
- Equipamentos de medição em uso que não constam do inventário.
- Intervalos de calibração fixados sem critério e nunca revistos.
- Equipamentos com calibração caducada sem identificação na linha.
No Kimobox
Como se gere este registo no Kimobox
- 1Cada equipamento de medição tem a sua ficha com localização, utilização e histórico completo.
- 2As calibrações e verificações são programadas com a respetiva periodicidade, e o sistema avisa antes de cada uma caducar.
- 3O certificado e a decisão de aptidão ficam no histórico do equipamento, ligado ao sistema da qualidade.
- 4Um equipamento não apto é tratado como mais uma não conformidade, com causa, ação e verificação da eficácia.
Perguntas frequentes
O que nos perguntam antes de começar
É preciso calibrar todos os equipamentos?
Não. A norma refere-se aos recursos de monitorização e medição usados para verificar a conformidade dos produtos e serviços. Um termómetro ambiente num escritório não entra; o paquímetro com que se liberta um lote, sim.
Calibrar e verificar é o mesmo?
Não. Calibrar é comparar com um padrão e conhecer o erro do equipamento; verificar é confirmar que esse erro está dentro do que a utilização admite. A ISO 9001 aceita uma, outra ou as duas, consoante o caso.
Que intervalo de calibração se deve definir?
A norma não o fixa. Decide-se em função da utilização, da estabilidade do equipamento, das recomendações do fabricante e do histórico de resultados, e convém revê-lo: se um equipamento sai sempre com folga, o intervalo pode ser alargado com justificação.
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Fontes
De onde vem cada dado
Referências ao texto oficial em vigor. Se uma norma for revista, esta página é atualizada e a data de revisão reflete-o.
- ISO 9001:2015 — Sistemas de gestão da qualidade. Requisitos ISO · Ed. 2015, com Amd 1:2024
- ISO 9001:2026 — Sistemas de gestão da qualidade. Requisitos ISO · Ed. 2026, publicada a 16 de setembro de 2026